Conheça a Seastainable Flatfish Village

Conheça a Seastainable Flatfish Village

A sustentabilidade dos recursos marinhos é uma realidade a ter em conta na garantia do abastecimento alimentar da sociedade. As previsões associadas à necessidade de aumento da quantidade de alimento disponível, por via do crescimento da população mundial, conferem à aquacultura a oportunidade para reforçar a capacidade de produção de alimento com o consequente contributo para o desenvolvimento económico e ambiental dos recursos, assim como para o desenvolvimento social da região onde se encontram sediadas as instalações de produção.

A Flatlantic assume-se como a maior piscicultura portuguesa especializada em pregado, sendo a maior unidade produtora na Europa de linguado e pregado com água do oceano, localizada na vila piscatória de Mira, Portugal. As perspetivas inerentes ao aumento da produção são acompanhadas pelo necessário rigor ao nível da monitorização dos custos totais do setor, mantendo o foco na qualidade e conformidade do produto em toda a sua cadeia de valor. A limpeza industrial é uma parte importante da garantia de padrões de qualidade elevados, sendo a Mistolin Pro um parceiro de confiança.

Laura, o que representa para Si o lema “Somos Atlânticos: temos o mar em casa”?

Este é um lema com o qual me identifico. E, primeiro que tudo, começar por referir que a Flatlantic integra no mesmo perímetro uma atividade do setor primário, a piscicultura e uma atividade do setor secundário, a fábrica de processamento (secundário – entenda-se como indústria). A nossa localização é privilegiada a vários níveis, sendo-o igualmente em termos estratégicos, isto porque estamos junto ao mar, a uma distância de apenas 500 metros, da nossa instalação em terra, à linha de mar; este pormenor, dá-nos a capacidade de termos acesso a uma ótima qualidade da água do oceano, captada a cerca de 3 quilómetros.

Este privilégio conjuga-se com a nossa responsabilidade de, ao mesmo tempo, não comprometer essa mesma qualidade, ou seja, quando muito, mantê-la. Nós estamos integrados na rede NATURA, o que quer dizer que ao longo do tempo, fomos desafiados a demonstrar que não temos impactos negativos no meio envolvente, e a verdade é que, passados todos estes anos, junto com toda a série de monitorizações da qualidade da água, temos conseguido demonstrar isso mesmo. 

Uma evidência clara, é o aumento, nos últimos anos, da Fauna em redor das instalações da Flatlantic. É um facto que ocupámos o espaço da natureza mas, com o tempo, o meio ambiente (falamos de fauna e flora) reorganizou-se de modo a se adaptar e desenvolver.

Ora, nos dias de hoje, conseguimos cá estar e continuar; ir buscar a água salgada ao oceano e devolvê-la com uma qualidade muito parecida, não comprometendo a ostentação da Bandeira Azul à Praia de Mira, uma realidade mantida ao longo dos anos. Porque realizamos diversas monitorizações ambientais, temos evidências que demonstram que a atividade da Flatlantic não comporta impactos negativos para o meio envolvente.

E agora, mais recentemente, com o investimento na maternidade, significa que podemos acompanhar o nosso peixe desde a sua conceção à expedição para o cliente. Termos o “mar em casa” contribui para a mais valia da marca Flatlantic, na medida em que permite ter disponível um stock vivo, em tanque, em vez de um stock em câmara de armazenamento, já pescado; ora, este aspeto possibilita satisfazer a necessidade do cliente em apenas 24 h, o que se transpõe na contingência de ter à mesa do consumidor o peixe no prazo de 48 h.

Tudo isto é possível graças à vantagem de termos dentro de portas condições para a criação dos peixes e processamento do pescado. Termos “o mar em casa” proporciona aos peixes condições ótimas para crescer e à marca Flatlantic garantir a qualidade do pescado.

A empresa encontra-se a apenas 500 metros de distância da praia, utilizando a água do oceano como recurso estrutural para a sua atividade. Fale-nos um pouco mais sobre esta realidade diferenciadora, assim como das mais valias associadas, para além das que já referiu.

Produzir de um modo sustentável é ter constantemente um conjunto de cuidados com tudo o que esteja relacionado com a parte operacional. É não gastar aquilo que não é preciso; não desperdiçar água que não seja precisa, mesmo que seja água salgada; não dar alimento a mais do que aquele que o peixe precisa, porque se for em excesso é um desperdício e vai certamente parar ao oceano.

Nós temos milhares de dados decorrentes da monitorização da qualidade da água do oceano à entrada e à saída das instalações que atestam a sistemática qualidade da mesma na devolução ao oceano. Por isso é que referimos que utilizamos a água do oceano, ao invés de referir que a consumimos.

Outro dado adicional é que este projeto é muito interessante em termos das poupanças energéticas, na medida em que temos um único ponto de maior consumo de energia que é na captação e na elevação da água, a partir do qual tudo funciona por ação da gravidade, nomeadamente pelo princípio dos vasos comunicantes, ou seja, a água entra, é distribuída pelos tanques, e, após sensivelmente 1 hora e meia é, de novo, devolvida ao oceano; não havendo, no percurso, águas estagnadas.

Imagine-se o que seria uma implantação diferente que, para além de no ponto de bombagem da captação, termos ainda uma série de bombas em todo o percurso. Tal não seria comportável nem sustentável, pois seriam pontos adicionais de consumo de energia.

Quem é a Laura Alexandra? Fale-nos um pouco de Si e do Seu percurso profissional

Sou Licenciada em Química Industrial pela Universidade de Coimbra. Logo após a conclusão dos meus estudos, integrei o programa intitulado “Jovens Técnicos para a Indústria (JTI)”, uma iniciativa do Estado, o qual financiava, em parte, a integração dos Jovens no tecido empresarial, abrindo-se assim, aquela que foi, para mim, uma oportunidade de poder trabalhar na Indústria.

Portanto, iniciei a minha atividade profissional em 1994, num setor completamente diferente do atual, no ramo da indústria química onde, durante 14 anos, tive a oportunidade de participar em desafios diversos, relacionados com as áreas operacional, gestão, qualidade, ambiente, segurança, licenciamentos e projetos de investimento, até ao ano de 2008, em que transito para o setor da aquacultura, um âmbito completamente diferente daquele em que trabalhava, contudo, com as mesmas áreas de trabalho, ou seja, com algumas responsabilidades idênticas àquelas que já exercia.

Abracei com entusiasmo aquele que era, na altura, um desafio completamente novo para mim. Sou uma pessoa curiosa. Esse aspeto levou a que, desde sempre, fizesse imensas perguntas, o que faz com que quando não obtenha as respostas às perguntas feitas, tenha a necessidade de procurar. E, por isso, neste processo de mudança para um setor tão diferente me levou a frequentar uma Pós-graduação em Segurança Alimentar pela Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional do Porto.

Ao nível pessoal sou uma pessoa extremamente exigente. Ah, e tenho um mau feitio terrível. Gosto de ensinar e formar, mas depois exijo que seja colocado em prática aquilo que foi apreendido. A partir do momento em que está transmitido o conhecimento, a pessoa entendeu e sabe fazer, não tem motivos para não fazer bem à primeira. Se as pessoas sabem, tiveram inclusive formação e dizem saber fazer, então não se ponham a fazer mal, porque fazer mal custa duas vezes; é fazer o mal e depois ir corrigir, fazendo bem.

Na dúvida, perguntem sempre! Fazer mal tem impactos negativos, por exemplo, do desgaste de tempo e de meios, o que acaba por ser crítico para uma empresa.

A Laura acompanhou o progresso e evolução da empresa, desde a sua origem, até aos dias de hoje. Que desafios enfrentou?

Já lá vão 14 anos. Nos inícios do projeto enfrentámos, como desafio principal, o facto de que a aquacultura era, à época, digamos que uma área desconhecida no nosso País, sobre a qual as entidades oficiais competentes tinham alguma reticência. Sabe que o desconhecido gera sempre algum grau de desconforto. Ao longo dos anos, o que nós fomos fazendo enquanto empresa foi demonstrar a nossa capacidade em garantir que a aquacultura não é algo mau.

A aquacultura é uma atividade que tem futuro (e será necessária no mesmo), enquanto solução alinhada com os objetivos de desenvolvimento sustentável. Os desafios foram diversos, desde a dimensão das instalações, o desconhecimento da atividade na sociedade, o arranque e o desenvolvimento com o decorrer das operações que teve os seus altos e baixos, mas que foram ultrapassadas e serviram de aprendizagem.

Mais recentemente, o reforço do projeto, com a construção da nossa maternidade, foi o materializar de uma ambição antiga. Estamos a trabalhar para fazer a diferença, isto porque, agora sim, podemos ter o “ciclo fechado” e ter à disposição, de forma integrada, todos os recursos de que precisamos. Atualmente, podemos dizer que há uma independência relativamente ao exterior, permitindo um controlo desde a origem, ou seja, desde o nascimento dos nossos peixes.

Como encara a Qualidade no seio da FLATLANTIC?

Eu encaro a Qualidade com um enorme sentido de responsabilidade, mas não olho para a Qualidade de forma isolada no seio da organização, na medida em que tenho uma visão integrada das coisas. Dou-lhe o seguinte exemplo: no âmbito das nossas instruções de trabalho relacionadas com a higiene, já tive uma situação caricata com um auditor, que me disse que só via este nível de detalhe nas empresas que se dedicam à atividade de higienização, não se encontrando usualmente numa empresa como a Flatlantic que tem uma fábrica de processamento, em que não é o seu papel principal fazer a higienização.

No entanto, é uma etapa muito importante da sua atividade. Este aspeto está muito relacionado, como disse, com a visão, mal ou bem, que eu tenho integrada das coisas. Vou dar-lhe outro exemplo. Os nossos documentos têm os setores integrados necessários à realização de determinada atividade, mencionando quem faz, o quê, quando, como e porquê. Desta forma todas as partes envolvidas estão ao corrente e validam a versão final, permitindo um alinhamento transversal entre todos. Quando falamos de planos de higiene, estes, na minha ótica, não podem, de maneira nenhuma, ser vistos como procedimentos à parte dos procedimentos operacionais relativos ao processo, devendo estar, antes, integrados nestes.

O plano de higiene é da responsabilidade da empresa, certo. Contudo, nós enquanto empresa é que realmente temos de exigir que os nossos trabalhadores cumpram com a execução das boas práticas associadas refletidas no plano de higiene. Falar da Qualidade é, também, referir o nosso sistema de HACCP que está implementado desde os reprodutores. Normalmente, quando se fala em HACCP, fala-se em indústria-fábrica de processamento.

Embora o regulamento europeu mencione que o HACCP possa ser, de uma maneira simples, aplicado à atividade do setor primário, na Flatlantic o mesmo foi sempre considerado, o que contribui em boa medida para a transversalidade e integração. Assim, quando nós queremos proceder a algum tipo de alteração, temos de ter em conta o fluxograma dos nossos processos desde os reprodutores até ao pescado embalado na caixa, pronto a ser expedido para o cliente, reflexo do panorama geral de como todas as atividades se processam. Portanto, olhar para o fluxograma não é ter apenas em atenção a secção da fábrica que começa quando o peixe é abatido; a primeira parte começa nos reprodutores.

Por isso são duas áreas distintas, mas são duas áreas complementares e que são tratadas da mesma maneira. Claro está que eu falo em termos de segurança alimentar na fábrica e em biossegurança na aquacultura.

Na Flatlantic falamos do HACCP aplicado a tudo, mas de uma maneira diferente, porque não podemos ter os mesmos conceitos, uma vez que temos de os adaptar à realidade em causa. A cultura de segurança dos alimentos é assumida pela Flatlantic como uma prioridade e assim garantir um produto - pescado fresco com uma Qualidade de excelência.

A Flatlantic possui nas suas instalações uma UPAC. Perspetivam, no curto-médio prazo, reforçar o investimento verde?

Sim, aliás, está em curso o projeto de reforço ao nível do investimento verde. Enquanto responsável igualmente pela área do ambiente, é com satisfação que falo sobre este tema, o qual está alinhado com o conceito da nossa imagem corporativa, seastainability. Nós estamos numa fase de expansão para a zona de terra.

Vai ser iniciada uma nova Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC), complementar à já existente, que consiste na instalação de painéis fotovoltaicos destinados à produção de energia elétrica a partir de energias renováveis. Pela nossa dimensão nós somos consumidores intensivos de energia.

A vantagem subjacente a este novo investimento verde é que o mesmo contribuirá para a continuação da redução das emissões de dióxido de carbono (atualmente evitamos a emissão de 569 toneladas, o equivalente a plantar 794 plantas), consolidando a diminuição da nossa dependência face a flutuações do preço da energia elétrica, otimizando, assim, aquilo que são os nossos encargos.

A sustentabilidade dos recursos marinhos é uma realidade a ter em conta na garantia do abastecimento alimentar da sociedade. Como é que a aquacultura se diferencia enquanto alternativa de futuro?

A aquacultura é uma atividade que, a ser bem feita, possibilita a regeneração do meio marinho porque não existe uma sobrepesca. A aquacultura ao produzir proteína disponível para o aumento da população a nível mundial, vai possibilitar a não pesca tão intensiva, o que contribui em larga medida, para uma capacidade de regeneração do meio natural.

É um meio de produção, de um modo sustentável, do peixe, uma fonte de proteína. Na Flatlantic, durante muito tempo, o modelo de negócio centrou-se numa só espécie de peixe, o pregado (Psetta maxima), encontrando-se, nos últimos tempos, a alargar a oferta com investimentos em torno da inclusão de uma segunda espécie, o linguado.

A Flatlantic está sediada numa área de 42 hectares. Como é que materializam a mobilidade sustentável dentro das instalações?

Temos bicicletas, trotinetes e carros elétricos (de pequena dimensão para movimentações internas na área da empresa). Temos veículos de transporte interno que usam combustível fóssil, contudo tem vindo a ser feito um trabalho em torno da transição para veículos movidos a energia elétrica. É compromisso da Flatlantic que todos os veículos do transporte de peixe venham a ser elétricos, terminando progressivamente com os veículos a gasóleo.

Em que medida a Flatlantic encara o impacto da limpeza e desinfeção da sua unidade de produção como via para a garantia da qualidade do produto?

A limpeza e desinfeção, no nosso caso, é extremamente importante porque somos uma atividade que, em primeiro, na aquacultura, lidamos com seres vivos, e, em segundo, na fábrica de processamento, temos o pescado. Quer num caso, quer no outro, é fundamental a questão da limpeza e desinfeção e, no final de contas, da higiene, porque simplesmente se eu não tiver um meio limpo e asseado onde estejam os peixes, eles simplesmente não vão estar bem.

Se o tanque, local onde estão os peixes não estiver limpo, o que acontece é que o mesmo vai ser propício à propagação de doenças. Se a zona de processamento não estiver limpa, garantidamente não iremos ter um produto com qualidade. Ao ter um produto num meio limpo, vou possibilitar que tenha um tempo de vida útil muito maior. O nosso produto é extremamente perecível, e, como tal, é ainda mais importante a questão da higienização.

De que forma o acompanhamento da Mistolin Pro é uma mais valia para a marca Flatlantic? Como tem sido a experiência?

A diferença que a Mistolin Pro tem face à concorrência é a capacidade técnica. A Flatlantic é muito exigente na definição dos requisitos e a Mistolin Pro tem correspondido às exigências. Por exemplo, o caso da utilização de detergentes com fórmulas aprovadas pelas entidades competentes, ao qual está associada a disponibilização das Fichas Técnicas e Fichas de Dados de Segurança, assim como as evidências de desempenho e eficácia dos ativos constituintes são aspetos que valorizamos e para os quais, junto da Mistolin Pro, encontramos resposta.

A Mistolin Pro tem sido um parceiro no acompanhamento contínuo e na resposta às nossas necessidades em torno da limpeza e desinfeção, inclusive de formação no terreno, em contacto com a nossa realidade.

A formação interna aos novos colaboradores tem um papel relevante no alinhamento interno para as boas práticas do processo aliadas às de higienização. Na Flatlantic os procedimentos de limpeza e higienização são escrupulosamente cumpridos. Nós aqui “não saltamos passos”. Internamente todos os trabalhadores têm consciência que previamente à etapa de desinfeção é importante garantir a execução dos passos relativos a uma limpeza adequada, a qual inclui a remoção da sujidade presente.

Na Flatlantic, no âmbito do cumprimento de um procedimento de higienização, há a garantia de que só se começa um novo passo quando o anterior estiver concluído; não se avança para a desinfeção, sem ter a garantia de que o passo da limpeza está completo. A verificação da eficácia de higienização é também algo que fazemos com regularidade através do controlo interno por laminocultivos, comumente conhecido internamente pela comprovação do “teste do algodão”, como forma de monitorização e avaliação do cumprimento de todos os passos nas rotinas de limpeza e desinfeção.

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