A gestão do capital humano  numa Santa Casa da Misericórdia

A gestão do capital humano numa Santa Casa da Misericórdia

Quem é o Paulo Gravato enquanto dirigente social?

O Paulo Gravato é de Vagos, tem 72 anos e estudou até ao Instituto Comercial mas, como naquela altura era difícil ter emprego, concorreu ao concurso de dois bancos e entrou no Fonsecas & Burnay, em Sever do Vouga.

“Trabalhei em vários sítios mas vivi sempre em Vagos e aqui estou na Misericórdia, desde 1982. Sou voluntário desde esse ano: estive três anos como tesoureiro e comecei a ser provedor até hoje. Vou terminar este último mandato em 2026.” afirma o próprio.

E o que é que mais se orgulha numa carreira tão longa?

Para estar 42 anos numa instituição destas é preciso mesmo gostar de ser voluntário, porque eu já saía tarde do banco e só depois é que vinha à Misericórdia. Mas é um prazer e um orgulho enorme pertencer a uma instituição destas.

Nada nos paga isto, mas nasce com a pessoa, o ser dedicada à sociedade e é isso que eu sei fazer. Claro que há uns senãos: a família sofre porque são muitas horas fora. Por exemplo, em agosto tive várias reuniões pois sou responsável por dois distritos, Aveiro e Coimbra, e como faço parte do Secretariado Nacional da União das Misericórdias, faço esse acompanhamento.

 Falou que é um orgulho. E porquê esse orgulho?

A atividade foi tão grande durante estes anos todos que estão sempre a nascer coisas novas que entusiasmam. Quando eu vim para a Misericórdia nada disto existia: a creche foi feita quando eu entrei e depois foi aquele trabalho que dá prazer de conseguir angariar fundos para fazer a obra. Além disso, começamos a perceber essa questão mais social, e começámos a fazer um centro de dia.

O que nos toca mais é ver pessoas que não têm ninguém, não têm onde dormir, e nós não sermos capazes na altura de resolver a situação. Houve uma situação de duas pessoas que vinham para o centro de dia mas não tinham onde dormir. Eu consegui que uma das colaboradoras do centro de dia acompanhasse as pessoas que, no início ficaram aqui, mas depois iam dormir a casa dela. Lá está, se não houvesse essa solidariedade por parte da colaboradora, era muito mais difícil resolver a situação. As situações sociais, para quem as sente, tocam um bocado.

Por um lado, há uma coisa que o motiva que é não ser insensível aos problemas da sociedade e das pessoas. Por outro lado, estar aqui há 40 anos é o sentido de realização e de ter aqui pessoas que se dedicam a causas maiores.

Certo, e conseguir que a gestão seja boa.

O que é uma boa gestão na Economia Social?

Em primeiro lugar, o pessoal técnico tem de ser capaz de resolver todas as situações dentro da instituição, não podendo ser apenas a mesa administrativa. Somos voluntários e damos as linhas mas a gestão tem de ser feita também com eles.

Atrás da gestão vem a sustentabilidade e esta é fundamental na instituição, tanto a nível dos serviços como outras valências ou atividades que deem rendimento, como o nosso caso da Fisioterapia.

Muitas IPSS nascem para resolver um problema, mas muitas instituições ficam por aí… Neste caso, ao ter alguém que conduz durante 40 anos e que tem visão ou ambição de responder que tem cuidados médicos, de idosos, cuidados continuados,… Há IPSS que nasceram com um propósito e nunca saíram desse.

Certo, mas isso é muito da mesa administrativa e tem que ver com a nossa visão própria de tudo, da instituição desde o início. Nós não podemos parar no tempo e continuar a pensar como era antigamente. Temos de tentar que se consiga ter mais rentabilidade.

Como é que é contratar, formar e manter motivadas as pessoas?

Nós preocupamo-nos, como lhe disse, principalmente com pessoal técnico. Por exemplo, temos dois enfermeiros e só exigem um. Temos um médico que ninguém exige, que vem aqui todos os dias e que pagamos para isso, pois evita que a maioria dos utentes vão para o hospital e só isso é uma mais-valia enorme.

Por exemplo, recorremos a estágios mas a maior parte dos estagiários ficam cá. Os colaboradores aqui têm 24 dias de férias por ano, damos prémio de assiduidade, fazemos atividades...

Na Mistolin Profissional e na Mistolin Solutions, ao falar de produtos as pessoas esperam que sejam produtos de qualidade e que resolvam problemas… É o nosso básico. Procuramos ser diferentes e fazer parte da vida dos clientes e, por isso, criámos um projeto Mistolabs, que tem como objetivo capacitar os profissionais. Como podemos ajudar a capacitar o setor social?

Em termos de formação isso é muito difícil porque a formação tem de ser dada no local de trabalho. Aí são duas questões de formação: mentalizar as pessoas que aquilo tem que ser feito assim e, por outro lado, a aplicação dos produtos. Sei que dão formação, trazem os produtos e explicam como se aplicam.

Um dos aspetos que para nós é critico é: como se compra, como se gere, como se faz procedimentos. Porque quando damos formação é no local, agora ajudar a cooperar, a escolher, a fazer procedimentos… isto tem implicações na produtividade.

Há uma coisa que têm que ter em atenção: uma das preocupações de toda a gente é o preço. E aí é que entra a vossa formação de qualquer equipamento: o preço às vezes só por si não conta e nós sabemos isso perfeitamente aqui. Se eu consigo gastar menos produto e tiver a mesma qualidade, estou a ganhar dinheiro, mesmo que o preço seja mais alto.

Quando aparece a palavra Mistolin o que é que lhe ocorre?

Em primeiro, ocorre qualidade, os produtos têm mesmo qualidade. E depois acho

que há uma sensibilidade vossa para a Economia Social. Pelo menos connosco isso tem acontecido. E isso para as instituições é uma mais-valia importante.

Há uma coisa que ainda não chegou às empresas que tem que ver com as empresas sociais. Na Europa já existe e tem que ver principalmente com a fiscalidade, aquilo que as empresas podem obter se quiserem ser empresas sociais.

Além da sugestão da Mistolin se tornar uma empresa social, que outra sugestão pode ter para o grupo Mistolin?

Tenho várias. Se quiserem ser solidários podem arranjar formas de contribuir com o que for possível para mostrar, de alguma forma, ao setor social “estamos aqui, somos e queremos ser solidários”. Por outro lado, é o voluntariado.

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